Quatro palavras para olhar para uma fonte e perceber o que vê
A maioria das fontes e chafarizes portugueses partilha uma gramática de partes. Aprender a nomeá-las é o primeiro passo para as datar e para entender quem as mandou fazer.
Uma fonte de parede portuguesa lê-se de cima para baixo, e cada parte responde a uma pergunta diferente. As armas dizem quem mandou fazer. A cartela diz, muitas vezes, quando. A bica é por onde a água sai. O tanque é para onde a água vai — e, com frequência, para que mais servia: lavar, dar de beber a animais, encher cântaros.
1 · Armas
O brasão ou emblema heráldico esculpido na fonte. Identifica quem a mandou construir — uma família nobre, um arcebispo, um cabido catedralício, a própria câmara municipal.
2 · Cartela
O painel, normalmente em pedra, onde se inscreve uma data, uma dedicatória ou uma legenda. É a "assinatura" da fonte — o elemento que, muitas vezes, permite datá-la com precisão.
3 · Bica
O cano ou saída por onde a água jorra — uma peça saliente, por vezes decorada com uma cabeça de animal ou um motivo vegetalista, encaixada na face da fonte.
4 · Tanque
O recipiente que recolhe a água. Pode ser de pedra lavrada, embutido na parede ou próprio (fonte de tanque exento), e por vezes servia também para lavar roupa ou dar de beber a animais.
Como usar isto neste site
As fichas do catálogo de fontes e chafarizes e as paragens do mapa do traçado usam este vocabulário sempre que a informação disponível o permite. Quando uma cartela não foi lida ou uma armas não foi identificada com segurança, o texto diz isso mesmo em vez de arriscar uma leitura.